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Quinta, 21 de outubro de 2021
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Peixes morrem presos na lama durante seca em reservatório da usina de Belo Monte, no Pará

Com nível do rio Xingu mais baixo este ano, impactos do empreendimento ficam mais acentuados nos afluentes, dizem especialistas.

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A seca na região do rio Xingu, atrelada aos impactos da usina hidrelétrica de Belo Monte, está causando a morte a peixes na área do reservatório do empreendimento em Altamira, sudoeste do Pará. A situação preocupa ambientalistas que atuam na área tentando resgatar animais presos na lama.

Desde a última semana, o rio Xingu começou a apresentar sinais de seca. Os reflexos já começam a aparecer na área urbana de Altamira, onde fica o principal reservatório da usina.

Na terça (5), vários peixes pequenos apareciam mortos na água. Os animais se reproduzem no igarapé Ambé, um dos afluentes do rio, mas a alta temperatura da água contribui para que eles não sobrevivam. Entre as espécies estão o cará, piau, e o acará-bandeira, que é inclusive ornamental.

O professor e biólogo Rodolfo Salm, da Universidade Federal do Pará (UFPA), se deparou com a cena de dezenas de peixes se debatendo na água. Com ajuda de uma peneira, ele conseguiu retirar alguns animais que tentavam sobreviver.

 

"É absurdo porque são peixes que poderiam ser alimento da população, e alguns são ornamentais, com valor de mercado nas grandes cidades, como o acará-bandeira. Aqui tem pacu, que poderia servir de alimento, mas agora são alimento apenas para urubus no momento", afirma.

 

A seca do Xingu fica mais acentuada no período de outubro a novembro. Este ano o nível já diminuiu visivelmente. Dados do monitoramento feito no reservatório da hidrelétrica em Pimental, no Pará, apontam que o rio está com nível mais baixo que em 2020. Há um ano, o rio estava com 38 centímetros a mais.

Também em 2020, o professor Salm flagrou a mesma situação e chegou a resgatar animais, com ajuda de voluntários. Segundo ele, é um dano que não tem a ver somente com a seca, mas também pelos impactos diretos causados pela usina.

"Secas existem, e esse ano estão mais pronunciadas, o problema é que essa planície foi toda alterada e não está mais no seu formato natural. Naturalmente, essa água drenaria para o rio nessa época seca, e os peixes iriam junto com a água para o leito principal do rio", explica.

Salm possui um tanque em casa, onde leva algumas espécies que consegue resgatar. Muitos sobreviveram. Dessa vez, alguns que conseguiu resgatar foram devolvidos ao rio Xingu.

O que diz a empresa

Em nota, a concessionária Norte Energia, responsável por Belo Monte, alega que "foi detectada pela equipe de supervisão ambiental atividades irregulares de pescadores no Igarapé Ambé que envolvem o bombeamento de poças e descartes de peixes".

A empresa diz que "reportará à Secretaria Municipal de Meio Ambiente para que as providências cabíveis sejam tomadas".

Ainda em nota, a Norte Energia afirma que "envia boletins com a evolução dos níveis dos reservatórios da UHE Belo Monte para o Operador Nacional do Sistema (ONS) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a informação está disponível nos respectivos sites".

Fonte/Créditos: G1 Pará

Créditos (Imagem de capa): Peixes não sobrevivem à seca do rio Xingu, no Pará. — Foto: Reprodução / TV Liberal

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